Treinador é demitido após usar ChatGPT para escalar o time
O avanço da inteligência artificial no futebol ganhou um capítulo controverso. O treinador espanhol Robert Moreno, de 48 anos, foi demitido do comando técnico do FC Sochi, da primeira divisão da Rússia, após uma utilização considerada excessiva e inadequada do ChatGPT no dia a dia do clube.
Segundo Andrei Orlov, ex-diretor desportivo do Sochi, Moreno passou a recorrer à ferramenta de IA para praticamente todas as decisões, desde o planeamento de treinos, passando pela organização logística, até chegar à análise e escolha de jogadores no mercado. A dependência gerou desconforto interno e levantou dúvidas sobre a qualidade das decisões tomadas.
Treino às 7h após 28 horas sem dormir
Um dos episódios mais criticados aconteceu numa viagem para Khabarovsk, no extremo leste russo. Em vez de utilizar critérios tradicionais, como experiência da comissão técnica e rotina do elenco, o treinador deixou o ChatGPT definir toda a programação da deslocação.
O resultado foi desastroso: após cerca de 28 horas de viagem, os jogadores foram orientados a realizar um treino às 7h da manhã, o que causou desgaste físico extremo e forte insatisfação no plantel.
Contratação indicada pela IA não deu resultado
O uso da inteligência artificial também chegou ao mercado de transferências. Moreno utilizou o ChatGPT para comparar dados de atacantes disponíveis e contratou um jogador apontado pela IA como a melhor opção. No entanto, o desempenho ficou muito abaixo do esperado: zero golos em 10 partidas.
Demissão e rebaixamento
A soma de decisões questionáveis culminou na demissão de Robert Moreno em agosto de 2025. Meses depois, o FC Sochi acabou rebaixado da elite do futebol russo, encerrando uma temporada marcada por instabilidade e polémicas fora das quatro linhas.
O caso reacende o debate sobre o papel da inteligência artificial no futebol profissional: ferramenta de apoio ou risco quando substitui totalmente a experiência humana?



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